Abstra

    Automação financeira na prática: perguntas e respostas sobre crescer sem inchar o time

    Um Q&A editorial com aprendizados reais sobre automação financeira, estratégia e liderança a partir da experiência da Jusbrasil.

    Abstra Team
    1/30/2026
    4 min read

    Automação financeira na prática

    Perguntas e respostas sobre crescer sem inchar o time

    Falar de automação financeira deixou de ser sobre ferramentas e passou a ser sobre como sustentar crescimento sem quebrar o time no meio do caminho.

    Na prática, o desafio dos líderes financeiros não é decidir se vão automatizar, mas como fazer isso enquanto o financeiro continua rodando, apagando incêndios, respondendo urgências do negócio e mantendo controle.

    Este artigo reúne os principais aprendizados de um bate-papo entre Catarina Pinheiro, CFO da Abstra, e Bernardo Barbosa, Diretor Financeiro da Jusbrasil.

    A conversa foi menos sobre tecnologia e mais sobre decisões difíceis, priorização, cultura e o papel real do financeiro em empresas que crescem rápido.

    A gravação completa está disponível aqui.

    Em que momento ficou claro que o modelo financeiro não escalava?

    O ponto de virada raramente vem de um único erro ou incidente crítico.

    Ele aparece quando:

    • o volume cresce,
    • a complexidade aumenta,
    • e o financeiro começa a operar no limite da capacidade humana, dependendo demais de pessoas específicas e controles manuais.

    Na Jusbrasil, ficou claro que insistir no modelo existente significaria crescer junto com:

    • risco,
    • retrabalho,
    • e desgaste do time.

    A automação financeira passou a ser vista não como ganho pontual de eficiência, mas como mudança estrutural necessária para sustentar o próximo estágio de crescimento.

    Como equilibrar o dia a dia operacional com a melhoria de processos?

    Essa foi uma das perguntas mais honestas do bate-papo:

    Como foi equilibrar o dia a dia do financeiro, apagando incêndios, com a melhoria dos processos?

    A resposta é direta: não foi simples e não existe fórmula pronta.

    Durante muito tempo, as automações avançaram mais devagar do que o desejado porque o financeiro continuava tendo que responder a urgências reais do negócio. Isso não desaparece da noite para o dia.

    O que fez diferença foi:

    • alinhar expectativas,
    • aceitar que nem tudo vai andar na velocidade ideal,
    • e priorizar conscientemente.

    Entender o que precisava ser resolvido agora, o que podia esperar e, principalmente, aceitar que algumas automações iriam atrasar foi parte do processo.

    A virada aconteceu entre 2023 e 2024, quando o financeiro deixou de ser apenas reativo. Mesmo com incêndios, o time passou a reservar espaço para melhorar processos — e, com o tempo, a própria frequência dos problemas começou a cair.

    O que muda quando o financeiro se torna mais estratégico?

    Quando se fala em “financeiro estratégico”, muita gente imagina discursos ou novos cargos. Na prática, a mudança é muito mais concreta.

    O financeiro deixa de ser apenas a área que:

    • cobra orçamento,
    • aponta desvios,
    • reage depois que o problema já aconteceu.

    E passa a antecipar decisões.

    Na Jusbrasil, isso aparece quando o time consegue:

    • cruzar dados de cloud (Google, AWS) com consumo real,
    • identificar ineficiências antes que virem problema,
    • levar insights para tecnologia, produto e liderança,
    • apoiar decisões de infraestrutura, pricing e crescimento.

    Nada disso seria possível sem automação dos processos operacionais.
    Sem isso, não existe tempo — nem energia mental — para análise.

    Como trazer o time junto e sair do pensamento engessado?

    Cultura não muda por discurso. Muda por exemplo.

    No caso da Jusbrasil, a transformação começou dentro do próprio financeiro, a partir de uma inquietude real:

    “a gente precisa fazer diferente, mesmo sem saber exatamente como”.

    O papel da liderança foi:

    • dar espaço para testar,
    • aceitar erro,
    • incentivar aprendizado,
    • reconhecer quem tenta melhorar processos.

    Mesmo que a empresa inteira ainda não esteja nesse estágio, o gestor consegue transformar a própria célula. Quando os resultados aparecem, a cultura se espalha naturalmente.

    Automação reduz controle ou ajuda a gerar valor?

    Existe um medo recorrente de que automatizar signifique perder controle.

    Na prática, acontece o oposto.

    A automação garante:

    • rastreabilidade,
    • padronização,
    • regras claras, sem exigir esforço manual constante.

    Com isso, o time ganha espaço para:

    • análises,
    • recomendações,
    • suporte ao negócio.

    O erro está em tratar controle e geração de valor como opostos.
    Automação bem feita fortalece ambos.

    Qual processo automatizado gerou mais impacto?

    No início, o foco esteve em rotinas internas:

    • conciliações,
    • reembolsos,
    • fechamento,
    • tratamento de balancete.

    Mas um dos maiores ganhos veio quando começaram a automatizar análises de receita, onde o volume de dados é muito maior.

    O principal desafio foi sair da planilha.

    Modelagem manual:

    • gera erro,
    • quebra,
    • não escala.

    Quando regras e projeções passaram a rodar de forma automatizada, o nível de análise mudou completamente.

    Existe resistência do time à automação e à IA?

    Pouca — muito por conta da cultura da empresa.

    Ainda assim, é comum que automação e IA sejam associadas à perda de espaço ou função. Com o tempo, aconteceu exatamente o oposto: as pessoas passaram a se sentir mais valorizadas e mais relevantes.

    Como medir sucesso em automação financeira?

    Não existe KPI específico de “quantidade de automações” — e isso foi uma decisão consciente.

    Criar métricas desse tipo gera incentivo errado.

    O foco não é automatizar tudo, mas resolver problemas reais.

    Os indicadores continuam sendo os clássicos:

    • eficiência,
    • qualidade da informação,
    • previsibilidade,
    • capacidade de antecipar riscos.

    Automação é meio, não fim.

    O que não mudou com IA (e as pessoas esquecem)?

    O básico continua sendo o básico.

    IA não substitui:

    • entendimento do negócio,
    • lógica financeira,
    • responsabilidade sobre decisão.

    Se os dados estão ruins, a IA apenas escala o erro.
    Ela acelera caminhos, mas não cria clareza sozinha.

    Quando o financeiro virou parceiro real do negócio?

    Entre o final de 2023 e 2024.

    Foi quando o time começou a levar insights antes de ser demandado e passou a ser chamado para decisões estratégicas.

    Ali ficou claro que algo tinha mudado.

    Principais aprendizados

    O maior aprendizado do bate-papo é simples e profundo:

    automação financeira não é um projeto de tecnologia — é uma transformação estrutural.

    Crescer com controle exige:

    • clareza de processos,
    • priorização consciente,
    • governança desde o início,
    • e envolvimento real das pessoas.

    Automação bem estruturada não substitui o time.
    Ela cria espaço para que o financeiro atue de forma mais estratégica, previsível e sustentável.

    👉 Para entender como estruturar automação financeira com governança desde o primeiro fluxo, conheça a Abstra:
    https://www.abstra.io/pt/solucoes/financas

    👉 Ou fale com um especialista da Abstra.

    Abstra Team

    Author

    Inscreva-se em nossa Newsletter

    Receba os últimos artigos, insights e atualizações diretamente na sua caixa de entrada.