Automação financeira na prática: perguntas e respostas sobre crescer sem inchar o time
Um Q&A editorial com aprendizados reais sobre automação financeira, estratégia e liderança a partir da experiência da Jusbrasil.
Automação financeira na prática
Perguntas e respostas sobre crescer sem inchar o time
Falar de automação financeira deixou de ser sobre ferramentas e passou a ser sobre como sustentar crescimento sem quebrar o time no meio do caminho.
Na prática, o desafio dos líderes financeiros não é decidir se vão automatizar, mas como fazer isso enquanto o financeiro continua rodando, apagando incêndios, respondendo urgências do negócio e mantendo controle.
Este artigo reúne os principais aprendizados de um bate-papo entre Catarina Pinheiro, CFO da Abstra, e Bernardo Barbosa, Diretor Financeiro da Jusbrasil.
A conversa foi menos sobre tecnologia e mais sobre decisões difíceis, priorização, cultura e o papel real do financeiro em empresas que crescem rápido.
A gravação completa está disponível aqui.
Em que momento ficou claro que o modelo financeiro não escalava?
O ponto de virada raramente vem de um único erro ou incidente crítico.
Ele aparece quando:
- o volume cresce,
- a complexidade aumenta,
- e o financeiro começa a operar no limite da capacidade humana, dependendo demais de pessoas específicas e controles manuais.
Na Jusbrasil, ficou claro que insistir no modelo existente significaria crescer junto com:
- risco,
- retrabalho,
- e desgaste do time.
A automação financeira passou a ser vista não como ganho pontual de eficiência, mas como mudança estrutural necessária para sustentar o próximo estágio de crescimento.
Como equilibrar o dia a dia operacional com a melhoria de processos?
Essa foi uma das perguntas mais honestas do bate-papo:
Como foi equilibrar o dia a dia do financeiro, apagando incêndios, com a melhoria dos processos?
A resposta é direta: não foi simples e não existe fórmula pronta.
Durante muito tempo, as automações avançaram mais devagar do que o desejado porque o financeiro continuava tendo que responder a urgências reais do negócio. Isso não desaparece da noite para o dia.
O que fez diferença foi:
- alinhar expectativas,
- aceitar que nem tudo vai andar na velocidade ideal,
- e priorizar conscientemente.
Entender o que precisava ser resolvido agora, o que podia esperar e, principalmente, aceitar que algumas automações iriam atrasar foi parte do processo.
A virada aconteceu entre 2023 e 2024, quando o financeiro deixou de ser apenas reativo. Mesmo com incêndios, o time passou a reservar espaço para melhorar processos — e, com o tempo, a própria frequência dos problemas começou a cair.
O que muda quando o financeiro se torna mais estratégico?
Quando se fala em “financeiro estratégico”, muita gente imagina discursos ou novos cargos. Na prática, a mudança é muito mais concreta.
O financeiro deixa de ser apenas a área que:
- cobra orçamento,
- aponta desvios,
- reage depois que o problema já aconteceu.
E passa a antecipar decisões.
Na Jusbrasil, isso aparece quando o time consegue:
- cruzar dados de cloud (Google, AWS) com consumo real,
- identificar ineficiências antes que virem problema,
- levar insights para tecnologia, produto e liderança,
- apoiar decisões de infraestrutura, pricing e crescimento.
Nada disso seria possível sem automação dos processos operacionais.
Sem isso, não existe tempo — nem energia mental — para análise.
Como trazer o time junto e sair do pensamento engessado?
Cultura não muda por discurso. Muda por exemplo.
No caso da Jusbrasil, a transformação começou dentro do próprio financeiro, a partir de uma inquietude real:
“a gente precisa fazer diferente, mesmo sem saber exatamente como”.
O papel da liderança foi:
- dar espaço para testar,
- aceitar erro,
- incentivar aprendizado,
- reconhecer quem tenta melhorar processos.
Mesmo que a empresa inteira ainda não esteja nesse estágio, o gestor consegue transformar a própria célula. Quando os resultados aparecem, a cultura se espalha naturalmente.
Automação reduz controle ou ajuda a gerar valor?
Existe um medo recorrente de que automatizar signifique perder controle.
Na prática, acontece o oposto.
A automação garante:
- rastreabilidade,
- padronização,
- regras claras, sem exigir esforço manual constante.
Com isso, o time ganha espaço para:
- análises,
- recomendações,
- suporte ao negócio.
O erro está em tratar controle e geração de valor como opostos.
Automação bem feita fortalece ambos.
Qual processo automatizado gerou mais impacto?
No início, o foco esteve em rotinas internas:
- conciliações,
- reembolsos,
- fechamento,
- tratamento de balancete.
Mas um dos maiores ganhos veio quando começaram a automatizar análises de receita, onde o volume de dados é muito maior.
O principal desafio foi sair da planilha.
Modelagem manual:
- gera erro,
- quebra,
- não escala.
Quando regras e projeções passaram a rodar de forma automatizada, o nível de análise mudou completamente.
Existe resistência do time à automação e à IA?
Pouca — muito por conta da cultura da empresa.
Ainda assim, é comum que automação e IA sejam associadas à perda de espaço ou função. Com o tempo, aconteceu exatamente o oposto: as pessoas passaram a se sentir mais valorizadas e mais relevantes.
Como medir sucesso em automação financeira?
Não existe KPI específico de “quantidade de automações” — e isso foi uma decisão consciente.
Criar métricas desse tipo gera incentivo errado.
O foco não é automatizar tudo, mas resolver problemas reais.
Os indicadores continuam sendo os clássicos:
- eficiência,
- qualidade da informação,
- previsibilidade,
- capacidade de antecipar riscos.
Automação é meio, não fim.
O que não mudou com IA (e as pessoas esquecem)?
O básico continua sendo o básico.
IA não substitui:
- entendimento do negócio,
- lógica financeira,
- responsabilidade sobre decisão.
Se os dados estão ruins, a IA apenas escala o erro.
Ela acelera caminhos, mas não cria clareza sozinha.
Quando o financeiro virou parceiro real do negócio?
Entre o final de 2023 e 2024.
Foi quando o time começou a levar insights antes de ser demandado e passou a ser chamado para decisões estratégicas.
Ali ficou claro que algo tinha mudado.
Principais aprendizados
O maior aprendizado do bate-papo é simples e profundo:
automação financeira não é um projeto de tecnologia — é uma transformação estrutural.
Crescer com controle exige:
- clareza de processos,
- priorização consciente,
- governança desde o início,
- e envolvimento real das pessoas.
Automação bem estruturada não substitui o time.
Ela cria espaço para que o financeiro atue de forma mais estratégica, previsível e sustentável.
👉 Para entender como estruturar automação financeira com governança desde o primeiro fluxo, conheça a Abstra:
https://www.abstra.io/pt/solucoes/financas
👉 Ou fale com um especialista da Abstra.
Abstra Team
Author
Inscreva-se em nossa Newsletter
Receba os últimos artigos, insights e atualizações diretamente na sua caixa de entrada.